Os dias passam parecendo sempre os mesmos, sem nos damos conta de quanto tempo já passou
Por Murilo de Oliveira Torres – Terceirão
Se há uma dimensão da vida que nunca foi ou será totalmente compreendida, é o tempo. Muitas ideias aparecem na mente ao discuti-lo, pois não se trata de apenas da divisão entre passado, presente ou futuro. Pelo contrário, a noção temporal é algo que se perde facilmente – mas que, em tempos de pandemia, pode ser recuperada de diversas maneiras.
O cotidiano acelerado que as pessoas enfrentam normalmente impede um pensamento mais profundo sobre as horas, os dias, os meses e os anos que passam. Quando se dão conta, essas mesmas lamentam e imploram por um tempo para si, um desligamento do mundo por determinado período. Entretanto, na prática, isso pode não ser como desejado.
Boa parte do planeta está isolada desde março. À medida que o tempo passa crescem os pedidos pela volta à normalidade. O afastamento da rotina parece ser algo maravilhoso em um primeiro momento, mas essa impressão dura pouco. Depois de alguns dias há uma mudança de pensamento, já que a percepção temporal agora é possível.
j
Uma situação contraditória forma-se então. Ao mesmo tempo em que o tédio invade as residências e o tempo parece passar devagar, o avanço rápido das folhas do calendário assusta. As pessoas percebem que estão perdendo momentos de suas vidas, algo antes inimaginável, uma vez que as atividades habituais não favorecem essa reflexão.
Enfim, ao domesticar o tempo, o ser humano tornou-se escravo. A alienação constante das sociedades impede pensamentos sobre como a noção temporal é perdida no cotidiano. A pandemia, apesar de todos os problemas, traz uma reflexão. E que essa sirva de inspiração para que quando tudo voltar ao normal, as pessoas façam uma avaliação sobre como gastam seu tempo, desde as horas necessárias para o trabalho até os segundos gastos em redes sociais e aplicativos.