O número de casos de covid-19 tem aumentado no mundo inteiro, e entrevistados contam como tiveram a vida afetada
Por Ana Clara Migliari Claro Gomes e Carolina Júlia Lourenço Antunes – 9º C
É inegável que com a chegada da Covid-19 o mundo mudou completamente e a vida de milhares de pessoas foi afetada; muitos trabalhadores tiveram seus salários reduzidos ou estão sem receber, várias pessoas ficaram desempregadas e muitas estão passando necessidades.
A vida dos profissionais de saúde, por exemplo, foi completamente afetada, com uma rotina desgastante já na chegada ao trabalho, conta Aline Paschoal Costa, 32, obstetriz (médica que cuida de partos humanizados) do Hospital e Maternidade Amador Aguiar. “Assim que chego a meu setor coloco uma roupa privativa, com máscara e touca. Vejo todas as gestantes e por último vou ao quarto de uma gestante com covid-19. A gente tem que colocar uma touca nova, máscara especial, viseira de proteção, avental, protetor no pé, outro avental por cima, duas luvas na mão e aí pode entrar no quarto”, diz, enumerando as ações preventivas.
Ela admite que o atendimento é bem mais complicado. “Tento avaliar o mais distante possível, mas às vezes não tem jeito porque preciso auscultar o neném, apalpar a barriga, ver os sinais, enfim. Na hora de sair, o primeiro par de luvas eu tiro dentro do quarto, mexo na maçaneta e tiro o resto da paramentação do lado de fora. Quando acabo de tirar, vou para a pia lavar as mãos e aí troco tudo o que estava usando. O pessoal do pronto socorro trabalha à noite inteira com a paramentação como se todo mundo estivesse com o coronavírus, porque a gente nunca sabe se quem está chegando na porta tem ou não.”
Mas profissionais de outros setores também foram afetados. ”Quem tem mais de 60 anos ficou afastado por ser do grupo de risco, porque as pessoas mais idosas são mais propicias a pegar o coronavírus, então elas foram afastadas e estão há mais de três meses em casa, sem trabalhar”, conta Edson Carlos Teles, 57, mecânico de aviões, há 30 anos funcionário da Embraer.
Ele conta que a empresa está se esforçando para não demitir funcionários. “O pessoal do escritório está trabalhando em home office, alguns fizeram acordos com redução de jornada de trabalho e também redução de salário, só as pessoas essenciais estão trabalhando e tem muita gente em casa que está esperando a pandemia terminar. Por enquanto, ninguém ainda foi despedido do meu trabalho”, relata.
Uma tentativa do governo de ajudar as pessoas que não possuem renda fixa foi disponibilizar um auxilio emergencial no valor de R$ 600, porém a medida não obteve total sucesso, pois muitas pessoas que não precisam dessa ajuda se inscreveram e estão recebendo o dinheiro no lugar de famílias que realmente precisam desse apoio.
Com o fechamento compulsório das instituições de ensino, a maioria optou por aulas online. “Para mim tem seus pontos fortes e fracos. As aulas ficam gravadas, então você tem muito mais liberdade nesse aspecto; mas, é muito mais difícil você se concentrar na aula porque em casa tem muito mais distrações”, relata Ingrid Musalska Claro Gomes, 18, estudante de psicologia da PUC-SP. “Acho que a gente não tem que se culpar, pois é uma situação complicada para todo mundo, e isso atrapalha nosso aprendizado”, analisa.
Uma medida muito interessante que o governo do Estado de São Paulo tomou foi formar uma parceria com a TV Cultura. O canal 2.3 passou a ser TV Cultura Educação, que tem até 10 horas de programação diária ao vivo, com transmissão de aulas para estudantes que não contam com acesso fácil à internet.
Para não perdermos as esperanças, a estudante Carolina Júlia Lourenço Antunes, 14, deixou-nos uma mensagem de otimismo. “Em meio a tantas incertezas, a única coisa que nos resta fazer é esperar e acreditar que novos tempos virão. Este período de pandemia é estressante para todos nós, mas tudo ficará bem.”