Cuidados tornam-se ainda mais necessários num momento em que o isolamento social é necessário
Por Marilia Eliza Vieira de Carvalho – Terceirão
Já nos primórdios da vida humana em civilização, homens do período paleolítico seguiam uma determinada rotina, de caça, descanso, quando mover-se de território. No período neolítico, onde se tornaram sedentários, as populações já tinham uma senda de cuidados a seguir com o plantio e os animais que adestravam. O ser humano sempre precisou de hábitos e costumes, que ajudam a diminuir a ansiedade, pois podem nos preparar para os imprevistos do dia e consequentemente nos ajudam a nos manter o controle e diminuir o estresse.
Entretanto, com a chegada da pandemia, nossa rotina foi totalmente “quebrada”. Isso pode causar danos diversos à saúde mental. Indivíduos portadores de ansiedade severa ou transtornos do espectro autista precisam de rotina não apenas para manter a concentração no dia a dia, mas também para ter uma melhor qualidade de vida. Com a pandemia, não é possível mais estabelecê-la, pois academias e escolas – por exemplo – estão fechadas, e cabe às pessoas levar esses hábitos para dentro das casas, porém não estamos no melhor momento da história e manter um costume diário pode ser penoso.
Outro exemplo: o Brasil é o país latino com mais pacientes de depressão, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. E por que isso é relevante? A pandemia nos apresenta um sentimento de medo e angústia, o futuro incerto traz preocupações e, quando os dias parecem ser todos iguais, não conseguimos manter produtividade, o que aumenta a sensação de estarmos parados no tempo e a consequente desesperança para com o mundo.
O conceito de produtividade, imposto pelo capitalismo, leva o ser humano a querer produzir para se sentir satisfeito, e se não consegue, é sinônimo de fracasso. Mas quem pode culpar os homens por não conseguirem produzir quando o próprio conceito de tempo parece distorcido?