quinta-feira, 16 de julho de 2020

Como será o mundo pós-pandemia? Nossos estudantes opinam

Otimista, ela acredita que as pessoas passarão mais a valorizar as pequenas coisas

Por Maria Eduarda Dias da Costa – 9º C

O coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. Esse novo agente foi descoberto no fim de 2019, daí o nome Covid-19 para a doença que ele causa. De lá para cá, o mundo todo tem feito desde quarentena até isolamento social para tentar controlar a epidemia, variando a postura entre os países e respectivos líderes. Devido a todos os fatos que tem ocorrido desde que começou a propagação do vírus, minha opinião é que o mundo vai ser melhor do que era antes.

Um dos fatos é que a poluição diminuiu drasticamente devido ao vírus, pois as pessoas pararam de viajar, de circular com o carro e indústrias produziram menos; por isso, a poluição do ar caiu consideravelmente. Em Nova York, o tráfego diminuiu 35% desde a chegada do novo coronavírus. Na China, epicentro inicial da pandemia, as emissões de CO2 caíram 25% em apenas duas semanas, o que, segundo estimativas, pode resultar numa redução de 1% em 2020 em relação ao ano passado.

O total de CO2 na atmosfera também ficou menor de forma repentina no norte da Itália, um dos países mais afetados pela pandemia. Por lá, a queda foi de 40% – a diferença é tão grande que dá para ver a mancha de poluição diminuindo em imagens de telescópio. No Brasil, no estado de São Paulo, houve queda de 50% na poluição do ar após uma semana de quarentena.

Devido a isso, minha opinião é que as coisas vão ser melhores depois que a epidemia passar. A população aprenderá a dar mais valor para o meio ambiente e para o planeta em si. Nosso cotidiano durante os últimos anos apenas mostrou que o mundo precisava de mudança, mas tivemos que aprender isso de uma forma ruim, obrigados a ficar em casa e a repensar nossos costumes como cidadãos. A mudança não é apenas de país, e sim da população se unindo para fazer a diferença. 

Portanto, daremos mais valor às nossas famílias, que têm sido nossa base e porto seguro durante a pandemia, seja emocionalmente ou financeiramente. Criamos laços diferentes entre amigos, a maioria deles mais fortes. Ficaremos próximos como seres humanos, de forma mais intensa. Toda mudança que estamos tendo neste momento é necessária para a evolução interior e exterior do que estamos vivendo e do que viveremos no futuro.


Pessimista, ele questiona se medidas de segurança serão cumpridas quando o pior momento passar

Por Nicolas Gimenez Alcalde – 9º C  

O mundo está passando por uma forte pandemia, e no momento as pessoas costumam pensar apenas no presente, mas e o futuro? Infelizmente, não tenho um forte otimismo sobre esse assunto.

Queria pensar que as pessoas que sobreviverem a esta pandemia terão um pensamento melhor, e mais cuidadoso, usando máscara ao sair de casa, passando álcool gel e mantendo a higiene das mãos devidamente, mas acabo pensando que a humanidade já passou por tantas “crises” de doenças, como tuberculose, H1N1, febre amarela, dengue e, mais antigamente, a gripe espanhola e a peste bubônica. E mesmo assim as coisas não melhoraram: aparentemente quem conseguiu sobreviver a essas epidemias não levou o aprendizado adiante.

Também penso que, se durante a pandemia algumas pessoas não respeitam o isolamento social e discordam da  OMS (Organização Mundial da Saúde), que praticamente implora para as pessoas ficarem em casa, imagina depois de tudo isso acabar? Boa parte da população não vai respeitar mais as recomendações da segurança, e o pior é que essa doença “evolui”com a falta de empatia das pessoas, a falta de pensar no próximo. Não usar máscara e não praticar o que está sendo pedido afeta você mesmo e todos a sua volta.

Além disso há a economia, que já está sendo muito afetada. As vendas varejistas caíram cerca de 70% e muitas pessoas estão ficando desempregadas, fora que muitos comércios estão fechando as portas. 

Então, espero que ao fim dessa pandemia minha opinião seja alterada: torço para as pessoas terem mais empatia e que sejam respeitosos com as medidas que serão tomadas, mas pelo que já expressei, ainda penso que o mundo pós-pandemia infelizmente não será melhor.

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Atividade física em casa: um desafio durante a pandemia


Manter a rotina de exercícios no período de isolamento é fundamental, mas exige cuidado
 
Por Eduarda Carriel Barros – 9º A

Considerada uma das principais medidas preventivas para evitar o contágio do novo coronavírus, a recomendação de não sair de casa causou uma mudança no hábito de praticar atividades físicas, que agora precisa ser dentro de casa e com os materiais mais diversos e acessíveis.

Como já sabemos, estamos lutando contra o novo covid-19 e nosso dever nesse momento é ficar em casa, sair apenas quando necessário e sempre com máscara, entre várias outras medidas sugeridas pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Em meio a essa situação, deve-se evitar reuniões comemorativas; comércios não essenciais foram fechados, assim como bares, academias e parques; shoppings têm sua entrada restrita; e escolas estão tendo aulas online.

Com isso, deixamos nossos canais de comunicações ligados mais da metade do dia e podemos dizer que o mundo está vidrado em uma tela de celular ou de uma televisão, adquirindo novas soluções, notícias, datas e índices. Já estamos há meses nessa situação, mas você já analisou seu dia-a-dia? Já pensou o quão produtivo está sendo? Ou até mesmo o quanto seu psicológico pode estar sendo afetado?

Dentro isso, é fundamental relembrar a importância de manter em dia os exercícios físicos. A OMS publicou em uma nota que o corpo e a mente são beneficiados pela atividade física, que reduzi ainda riscos de doenças do coração, acidente vascular cerebral, diabetes, alguns tipos de câncer, hipertensão arterial. 

Professores de educação física recordam ainda que a obesidade é um fator de risco para quem foi infectado pelo coronavírus, e que a atividade física ajuda também a manter a saúde mental, reduzindo o risco de depressão e demência, aliviando o estresse e provocando uma sensação de bem-estar.

É possível manter uma rotina saudável dentro de casa, sem quebrar as normas de isolamento, utilizando objetos simples, como cordas, tapetes ou colchonetes, e pesos dos mais variados, como, por exemplo, pacotes de alimentos. “O tempo ideal é de, no mínimo, 20 minutos, podendo variar conforme o condicionamento físico de pessoa para pessoa. Vídeos na internet podem ajudar, mas não esqueça: toda atividade física deve ser orientada por um profissional capacitado. 

terça-feira, 14 de julho de 2020

A importância do isolamento social para salvar vidas

Ainda sem vacina contra um vírus desconhecido, ficar em casa é a melhor prevenção

Por Júlia Machado Galvão – 9º B
 
Atualmente a maior parte do Brasil está sob alguma forma de isolamento social por conta da pandemia do covid-19. Uma pandemia, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), é a disseminação mundial de uma doença. Descoberta no dia 31 de dezembro de 2019 após casos registrados na China, a covid-19 é causada pelo Sars-Cov2, um tipo de coronavírus, que é uma família de vírus que causam infecções respiratórias, desde um simples resfriado até síndromes respiratórias graves.

Infectologista do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre (RS), André Luiz Machado da Silva fala sobre o covid-19, quais os sintomas da doença e as recomendações atuais para se evitar o contágio: “A transmissão ocorre de pessoa para pessoa através do contato, pelo ar, com secreções respiratórias como: gotículas de saliva, espirro, tosse e catarro do paciente infectado. Os principais sintomas são: febre, tosse, dificuldade para respirar, coriza e dor de garganta; esses sintomas surgem de 2 a 14 dias após o contágio”, explica.

O especialista falou também sobre os grupos mais suscetíveis à contaminação e às complicações da doença, tais como os casos em indivíduos acima dos 70 anos e naqueles com patologias pré-existentes como doença cardiovascular, diabetes, doença respiratória crônica, hipertensão e neoplasia.

Algumas possíveis prevenções indicadas pelo Ministério de Saúde são: lavar com frequência as mãos até a altura dos punhos, com água e sabão, ou então higienizar com álcool em gel 70%; ao tossir ou espirrar, cobrir nariz e boca com lenço ou com o braço, e não com as mãos; evitar tocar os olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas e, ao tocar, lavá-las sempre como já indicado; manter uma distância mínima de cerca de dois metros de qualquer pessoa tossindo ou espirrando; e quando necessária a saída de casa, o uso da máscara é essencial.

Claro que outro modo de prevenção é o isolamento social, determinado pelos governos para evitar a proliferação da doença. Assim, deve-se evitar aglomerações, estão suspensos grandes eventos e as pessoas devem ficar em casa o máximo possível, mantendo-se a distância segura umas das outras. Nesses casos, atividades que são impossíveis de serem promovidas sem distanciamento, como aulas presenciais, estão suspensas enquanto as autoridades sanitárias julgarem necessário. No caso das escolas, há uma possibilidade de que as aulas voltem no mês de setembro.

O infectologista Benedito Antônio Lopes da Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, diz que o isolamento é importante porque. “Neste momento em que nós não temos uma vacina, nem mesmo um medicamento definido contra esse vírus, o que a gente pode fazer é minimizar a transmissão dele. E uma maneira de minimizar a transmissão dele é minimizar o contato dessa pessoa infectada com outras pessoas que são suscetíveis. E nesse momento todo mundo é suscetível porque ninguém nunca foi infectado por esse vírus."

Silvana Nunes Ferreira, moradora da Grande São Paulo, relata como o isolamento afetou sua rotina diária. “Ele me trouxe preocupações com os meus familiares no sentido de ficarem doentes. E apesar de eu não ter parado de trabalhar, estou tendo mais tempo nos finais de semana para ler e assistir filmes.” Ela fala também que acha o isolamento social a prevenção mais eficaz, pois como no momento ainda não existe uma cura para a doença; e sobre como tem feito sua parte nessa situação de tanta necessidade de empatia. “Estou colaborando também com cestas básicas para as famílias carentes.”

Esse é um momento de empatia e autocuidado: ficando em casa, além de você estar se prevenindo, você está protegendo os próximos também. Ler, praticar atividades físicas, ouvir música e fazer cursos pela internet são algumas atividades recomendadas para quem está entediado com a situação; o mais importante agora é manter a estabilidade psicológica emocional para que problemas como a depressão e ansiedade não entrem na rotina. Este período de isolamento, para quem tem o privilégio de estar com a família, deve ser visto como uma oportunidade para aprender e se redescobrir.

segunda-feira, 13 de julho de 2020

Uma pandemia que apresenta impacto em várias áreas

Funcionamento das igrejas também foi afetado pela necessidade de isolamento social

Por Isabela Almeida Mascarenhas e Natalia Victoria Souza Jonas – 9º C

O período de isolamento social impede muitas pessoas de sair de casa e obriga a adaptação de muitas atividades. Na cidade de Sorocaba, por exemplo, supermercados e outros tipos de comércio estão abrindo com restrições e horários diferentes, enquanto crianças e adolescentes estão tendo aulas online para cumprir o calendário escolar.

Entrevistando moradores da cidade de Sorocaba, perguntamos como está sendo a rotina das pessoas nesse período para entender como a quarentena afetou o dia a dia das pessoas. “Eu não trabalho fora, porém tenho meus compromissos. Um deles é com a igreja, onde não pude exercer meu cargo nesse período de epidemia, e afetou bastante foi não poder ter contato com minha família e entes queridos”, diz Darlene Mascarenhas

Rosângela, que trabalha com vendas, teve sua rotina bastante afetada. “Tenho muito contato com o público, e nesse período de quarentena caiu bastante o consumo na área em que atuo, de produtos perecíveis. Já em minha rotina eu e meus colegas de trabalho tivemos que mudar alguns aspectos, como o uso de máscara e um maior distanciamento uns dos outros. Em casa, com minha família, estamos tomando todos os cuidados devidos, pois eu sou a única que saio e tenho minha mãe, que é idosa e tem risco maior de contágio", diz.

Beatriz Almeida, enfermeira, conta um pouco da rotina no hospital. “Estamos tomando muito cuidado. Uso de máscara e roupas protetoras é obrigatório, tendo que passar por máquinas, medir febre e fazer esterilização das roupas, além do uso do álcool gel. Nós estamos fazendo o possível para melhor a situação em que estamos vivendo hoje."

Os sintomas da Covid-19 mais conhecidos são tosse, febre, coriza, dor de garganta e dificuldade para respirar. A intensidade vai depender de cada pessoa: pode variar de um simples resfriado até uma pneumonia severa. Cerca de 20% dos casos podem requerer atendimento hospitalar, por apresentarem dificuldades respiratórias, e parte desses pacientes podem necessitar de suporte artificial para o tratamento de insuficiência respiratória.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Saúde mental: conselhos para continuar bem durante a pandemia

Psicóloga explica como lidar com tantas coisas novas de uma só vez   

Por Isabela Zanin de Souza e Luiza Oliva de Morais Paes – 9º A

Todos nós sabemos o quão difícil está sendo lidar com uma pandemia. Muitas coisas mudaram desde o fim de fevereiro, desde foi anunciado aqui no Brasil o primeiro caso de covid-19, doença causada pelo coronavírus, família de vírus responsável por diversas doenças respiratórias.

Na verdade, o problema vai muito além disso. Em consequência da pandemia, veio uma longa quarentena, que tenta manter as pessoas em casa, fazendo com que elas saiam o mínimo necessário. Isso tem prejudicado a economia, com a redução da atividade em vários negócios, mas fala-se menos de outro impacto: no psicológico das pessoas, uma vez que se adaptar a um novo estilo de vida sem contato físico é realmente muito difícil.

Não podemos nos deixar abater. Precisamos nos manter informados, mas também ocupar nossas cabeças com coisas produtivas que não conseguíamos realizar por falta tempo antes. Essa é uma das dicas de nossa entrevistada, a psicóloga  Flávia Elizabeth Oliva de Morais Paes.

Como profissional, o que você aconselharia as pessoas para que consigam manter uma boa saúde mental em meio uma crise mundial?
Flávia – A primeira coisa é não desanimar, pensar positivo e pensar que isso vai passar, que não é o fim do mundo. Segundo, tentar manter uma rotina. Mesmo que você não tenha que fazer nada durante o dia, precisa ter uma, senão bate o desanimo, e pode até acabar virando uma depressão. Nós ficamos ociosos, o que nos deixa ansiosos, então você tem que tentar manter um ritmo parecido ou quase igual de quando você tinha sua rotina normal. Tenha um hobby, coloque uma coisa que você gosta na rotina, e tente se ocupar da melhor forma. Não fique vendo noticiário: acompanhe só uma vez por dia, de preferência de manhã, o excesso de informação pode te deixar ansioso.

É possível tirar bons aprendizados dessa experiência? Se sim, como?
Flávia – Sim, tudo na vida tem um lado bom e um lado ruim, então, de toda a situação, mesmo que seja uma tragédia, a gente acaba tirando uma coisa boa, tudo vai do olhar que você tem da situação, se você mantiver um olhar positivo, vai conseguir tirar coisas boas daquilo. Aproveite a sua família, tente se conhecer melhor, ler um livro que você gostaria de ler mas no dia a dia acaba sem tempo. Esse é o momento de fazer as coisas que você reclamava antes que não tinha tempo mas agora tem.
    
O que você, pessoalmente, está fazendo para conseguir lidar com esse momento?
Flávia – Estou vivendo um dia após o outro, ou seja, estou tentando fazer as coisas sem ficar pensando no dia de amanhã. Fazendo coisas que eu gosto como cuidar dos meus filhos, produzir artesanato, decorar a minha casa, receitas diferentes. Não sabemos o que o futuro nos guarda, então não adianta ficar preocupado com o que vai acontecer.

Entrevistamos também Taís Zanin de Souza, moradora de Sorocaba, para conhecer um pouco de sua rotina.

Quais os cuidados que você está tomando para evitar contrair a covid-19?
Taís – Bom, estou seguindo todas as regras de isolamento social e tomando todos os cuidados necessários de higiene, como lavar sempre as mãos e higienizar as compras ao chegar do mercado. O uso de máscara ao sair já virou um hábito também 

Como têm sido os seus dias isolada?
Taís – Procuro sempre estar em família, assistindo a filmes, com pensamentos positivos sem perder a fé. Manter o contato com familiares através de videochamadas é essencial para mim, nos faz sentirmos mais unidos, também gosto de me manter informada, mas não com excesso de informações, seguindo em frente sempre positiva.”

E como está cuidando da sua saúde física nesse tempo de pandemia?
Taís = Estou me exercitando através de aulas online, mantendo uma boa alimentação e tomando banhos de sol para que não falte vitamina D. Criei um hábito de fazer saladas bem mais saudáveis no intuito de me manter em forma e com a imunidade bem alta.

Como podemos ver, todos nós estamos fazendo o possível para fazer a diferença! E é importante lembrar, fiquem em casa e se cuidem! Essa doença não é brincadeira, o remédio mais eficaz nesse momento é se prevenir e não deixar que o vírus entre nas nossas casas.

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Home office: alternativa para o trabalho não parar

Cerca de 60% dos brasileiros tiveram de optar pelo trabalho remoto durante a pandemia

Por Carla Roberta Camargo da Silva e Clara Moura Fé Xavier – 9º B

Seis de cada dez brasileiros estão trabalhando diretamente de suas casas durante o período de restrição do contato social provocado pela pandemia do novo coronavírus. Antes restrito a alguns profissionais, o home office, ou trabalho remoto, agora é praticado por milhares de trabalhadores no Brasil e no mundo por causa da pandemia.  

Diversas empresas que trabalham com serviços de escritório, feitos em computador se adaptaram a essa nova maneira de trabalhar, entre elas empresas e órgão públicos, que optaram por preservar a saúde dos funcionários e manter uma grande porcentagem da sua produtividade. 

Pesquisa realizada pela empresa Hibou revela que 59,9% dos brasileiros está trabalhando em casa e, destes, 41,6% estão usando vídeo conferencias para isso. Os entrevistados alegam estar trabalhando mais em casa do que quando trabalhavam em seus escritórios. Uma categoria que afirma isso é a dos professores.

“Achei que o impacto não seria algo tão grande no Brasil, foi uma surpresa, um pouco assustador, porque a gente começou a saber das coisas e na semana seguinte já não havia crianças na escola”, comenta a professora Sheila Moura Fé Xavier, que precisou passar por um processo de adaptação dos métodos. “Toda a apresentação das aulas tem de ser preparada pelo computador, com slides, tive que aprender a mexer em vários aplicativos para conseguir atender a demanda, além de adaptar minha casa”, conta a docente.

Ela pelo menos teve a vantagem de não ter seu salário reduzido, como aconteceu com profissionais de vários setores, mesmo com o trabalho remoto. Além disso, ainda há a dificuldade de conciliar profissional à vida familiar. Para que o serviço a distância seja eficiente, é importante a colaboração de pessoas que moram junto com o profissional. 

“A adaptação da rotina foi complicada, porque tinha a questão de internet não suportar o uso dela para as aulas. Também tivemos que fazer mudanças na sala, para eu conseguir dar aula, tanto que eu dou aula na sala de jantar. Tive ainda que comprar uma webcam”, relata. “É preciso cuidar de tudo, fechar as janelas para não ter tanto ruído, ajustar a luz. Mas hoje já estou acostumada e o trabalho vem transcorrendo da melhor forma possível.”

Se para os professores trata-se de uma mudança provisória, para alguns a mudança vem para ficar. Antes visto como uma estratégia de modernização e agora como questão de sobrevivência, o home office deve se manter ativo em várias áreas de comércio e serviços, uma vez que não se sabe até quando a pandemia vai durar e, mesmo depois, muitos hábitos podem ser modificados permanentemente. 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

A vida atribulada de uma obstetriz em tempos de pandemia

O número de casos de covid-19 tem aumentado no mundo inteiro, e entrevistados contam como tiveram a vida afetada 

Por Ana Clara Migliari Claro Gomes e Carolina Júlia Lourenço Antunes – 9º C

É inegável que com a chegada da Covid-19 o mundo mudou completamente e a vida de milhares de pessoas foi afetada; muitos trabalhadores tiveram seus salários reduzidos ou estão sem receber, várias pessoas ficaram desempregadas e muitas estão passando necessidades.

A vida dos profissionais de saúde, por exemplo, foi completamente afetada, com uma rotina desgastante já na chegada ao trabalho, conta Aline Paschoal Costa, 32, obstetriz (médica que cuida de partos humanizados) do Hospital e Maternidade Amador Aguiar. “Assim que chego a meu setor coloco uma roupa privativa, com máscara e touca. Vejo todas as gestantes e por último vou ao quarto de uma gestante com covid-19. A gente tem que colocar uma touca nova, máscara especial, viseira de proteção, avental, protetor no pé, outro avental por cima, duas luvas na mão e aí pode entrar no quarto”, diz, enumerando as ações preventivas.

Ela admite que o atendimento é bem mais complicado. “Tento avaliar o mais distante possível, mas às vezes não tem jeito porque preciso auscultar o neném, apalpar a barriga, ver os sinais, enfim. Na hora de sair, o primeiro par de luvas eu tiro dentro do quarto, mexo na maçaneta e tiro o resto da paramentação do lado de fora. Quando acabo de tirar, vou para a pia lavar as mãos e aí troco tudo o que estava usando. O pessoal do pronto socorro trabalha à noite inteira com a paramentação como se todo mundo estivesse com o coronavírus, porque a gente nunca sabe se quem está chegando na porta tem ou não.”

Mas profissionais de outros setores também foram afetados. ”Quem tem mais de 60 anos ficou afastado por ser do grupo de risco, porque as pessoas mais idosas são mais propicias a pegar o coronavírus, então elas foram afastadas e estão há mais de três meses em casa, sem trabalhar”, conta Edson Carlos Teles, 57, mecânico de aviões, há 30 anos funcionário da Embraer.

Ele conta que a empresa está se esforçando para não demitir funcionários. “O pessoal do escritório está trabalhando em home office, alguns fizeram acordos com redução de jornada de trabalho e também redução de salário, só as pessoas essenciais estão trabalhando e tem muita gente em casa que está esperando a pandemia terminar. Por enquanto, ninguém ainda foi despedido do meu trabalho”, relata.

Uma tentativa do governo de ajudar as pessoas que não possuem renda fixa foi disponibilizar um auxilio emergencial no valor de R$ 600, porém a medida não obteve total sucesso, pois muitas pessoas que não precisam dessa ajuda se inscreveram e estão recebendo o dinheiro no lugar de famílias que realmente precisam desse apoio.

Com o fechamento compulsório das instituições de ensino, a maioria optou por aulas online. “Para mim tem seus pontos fortes e fracos. As aulas ficam gravadas, então você tem muito mais liberdade nesse aspecto; mas, é muito mais difícil você se concentrar na aula porque em casa tem muito mais distrações”, relata Ingrid Musalska Claro Gomes, 18, estudante de psicologia da PUC-SP. “Acho que a gente não tem que se culpar, pois é uma situação complicada para todo mundo, e isso atrapalha nosso aprendizado”, analisa.

Uma medida muito interessante que o governo do Estado de São Paulo tomou foi formar uma parceria com a TV Cultura. O canal 2.3 passou a ser TV Cultura Educação, que tem até 10 horas de programação diária ao vivo, com transmissão de aulas para estudantes que não contam com acesso fácil à internet.

Para não perdermos as esperanças, a estudante Carolina Júlia Lourenço Antunes, 14, deixou-nos uma mensagem de otimismo. “Em meio a tantas incertezas, a única coisa que nos resta fazer é esperar e acreditar que novos tempos virão. Este período de pandemia é estressante para todos nós, mas tudo ficará bem.”