segunda-feira, 6 de julho de 2020

O impacto da quarentena nos trabalhadores

A pandemia de Covid-19 nos obrigou a mudanças para as quais não estávamos preparados  

Por Lucas Guedes Mendonça Franco e Vitor Benavides Pitaluga – 9º A

O isolamento social causou impacto nas pessoas em quase todos os aspectos e um dos setores afetados foi o ensino, já que escolas são ambientes fechados, repletos de pessoas de todas as idades e que seriam uma enorme possibilidade para o Sars-Cov2 se disseminar. Então, para a segurança de todos que vivem nos ambientes escolares, foram suspensas as aulas presenciais por tempo indeterminado.

Mas, apesar de preservar a saúde física, a quarentena e as aulas online acabam afetando o lado financeiro e psicológico. Ao entrevistarmos duas trabalhadores de áreas diferentes tivemos como tirar conclusões sobre o assunto.

Jeane Guedes Mendonça Franco, professora de 49 anos, mãe de três filhos, casada e que trabalha em duas escolas da rede municipal em Sorocaba (SP) diz o seguinte sobre a pandemia do Covid-19: “O primeiro impacto foi emocional, por ver as salas vazias e meus filhos sem participar da rotina escolar. Além disso tive que alterar a rotina da casa, como a limpeza, higiene pessoal e principalmente mental. Também há uma preocupação em relação ao meu marido, que está se expondo para trabalhar e sustentar a casa.’’ 

Outro fator que a professora comenta foram as muitas duvidas em relação a essa doença e o medo de contaminação. Segundo ela, até o momento a família não sofreu impacto financeiro, porém a instabilidade geral preocupa e mais recentemente o retorno ao trabalho tem criado muita expectativa, sendo dividido em trabalho remoto e presencial nas escolas. "Também temos a falta de recursos tecnológicos necessários nas escolas públicas fazendo com que não se possa ter aulas online e atividades em domicílio", diz.

Em outras áreas, como a medicina, também houve impacto. A dermatologista Laura Yoshizaki Dini opina fala sobre como isso afetou sua vida: "A doença acabou nos forçando a mudar horários e se prevenir fazendo uma redução de pessoas no trabalho e também com os pacientes diminuindo a exposição. Também sofremos uma redução salarial e temos de nos prevenir higienicamente em situações normais do dia a dia, como ao chegar em casa e retirar sapatos, colocar a roupa para lavar e tomar banho.",

Ela conta que precisou mudar alguns hábitos de higiene, como como tomar banho molhando apenas o cabelo com sabão sem deixar a água escorrer para o rosto. Ela também cita a alteração do humor das pessoas em consequência da doença que mudou completamente o estilo de vida. "Essa doença pegou todos desprevenidos e forçou um cuidado que ninguém esperava ter."

Apesar de todo o cuidado, o número de contaminados e mortos em todo o mundo não para de subir. Uma das poucas notícias boas é que o número de assaltos, homicídios e de acidentes de trânsito diminuiu com o isolamento social, porém muitos restaurantes, comércios e outras indústrias estão demitindo funcionários e chegando até a fechar por não estarem lucrando e conseguindo pagar as dívidas.

"Em meio a tudo isso podemos dizer que nosso lugar de descanso, também conhecido como ‘’local de chegada’’, hoje se tornou local de permanência", reflete a professora Jeane. Temos agora que aguardar o que acontecerá nos prevenindo e tomando as medidas de segurança e higiene providas pela OMS (Organização Mundial de Saúde). O Covid-19 mudou o mundo e mudará os tempos à frente; sabemos que o mundo não será mais o mesmo que sempre foi.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

Os desafios do isolamento social

Profissionais de diversas áreas relatam seu processo de adaptação durante o período de quarentena

Por Maria Eduarda Morina Brito – 9º B

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou, em 30 de janeiro deste ano, o surto da Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Logo depois, em 11 de março, informou que a situação já se caracterizava como uma pandemia, pois o contagio estava fora de controle em várias partes do mundo.

No Brasil hoje o número de casos passa de 1,5 milhão, e com cerca de 1.200 mortes por dia. Desde março,  porém, os primeiros casos provocaram a adoção de medidas preventivas, como: lavar as mãos com cuidado por cerca de 40 segundos, usar o cotovelo para cobrir a tosse, não tocar o rosto, não sair de casa e se precisar sair manter uma distância segura (cerca de 1,5 metro de distância).

Com as novas medidas de prevenção muitas pessoas tiveram sua rotina afetada, principalmente pelo distanciamento social. Uma das formas adotadas foi o trabalho remoto, ou “home office”, que consiste na pessoa trabalhar na sua própria casa de forma segura, utilizando a internet para se comunicar com seus superiores, colegas de trabalho e funcionários.

Mas o isolamento social não afetou positivamente todas as pessoas. Ao contrário, causou uma grande quantidade de pessoas perdendo seus empregos e uma crise econômica em vários países.

Escolas e faculdades também adotaram o sistema remoto, “Estou achando um desafio, ainda mais por ter uma profissão que necessita de contato físico e isso acaba dificultando, por não ter um retorno como de costume, por não conseguir dar o suporte como se é esperado, por depender da participação e compreensão dos responsáveis nesse momento em que o isolamento social está acontecendo.”, afirma Fernanda Morina, professora de educação Infantil.

E também há empresas que não adotaram o isolamento social, mas aderiram medidas preventivas, “Na minha empresa não foi adotado o sistema de quarentena, porém tivemos que colocar em prática o uso de equipamentos para tentar minimizar a propagação do vírus”, conta Ethore Ortiz Fulco, que trabalha numa empresa de mineração.

O distanciamento social não afetou apenas as pessoas e sim o ambiente também. Por exemplo, os famosos canais de Veneza, que têm suas águas lamacentas por conta da alta circulação de gôndolas de turistas, voltaram a ter água cristalina. “A água agora parece mais clara porque há menos tráfego nos canais, permitindo que o sedimento permaneça no fundo", explicou um porta-voz da prefeitura local à CNN. Com isso, peixes se multiplicando nadando ao fundo voltaram a ser vistos.

Esse momento delicado por qual estamos passando possibilitou a especialistas em estudos da mente constatar que o aumento da solidariedade, gratidão e empatia entre as pessoas aumentou nesse momento de pandemia, com pessoas se mostrando mais preocupadas com o bem-estar umas das outras, “Eu acho que essa situação veio para as pessoas darem mais valor pra família, pais conviverem mais com os filhos. Para nos ensinar que o dinheiro não é tudo e ele não pode comprar a saúde. E para as pessoas aprenderem a conviver na terra com mais compaixão, ajudar uns aos outros. E principalmente para termos consciência que somos totalmente dependentes de Deus. Para as pessoas voltarem a exercer sua fé,” afirma Angélica da Silva Brito.

Cientistas estão no caminho para achar a vacina conta o Covid-19 e em diversos países já estão sendo feitos testes em pessoas e a população aguarda ansiosamente por ela, ”A ansiedade por essa vacina é incontrolável e inevitável. Queremos o fim disso, para poder rever familiares e amigos que tanto amamos, mesmo que nem todos estejam lá,” diz Maria Eduarda Morina Brito.

quinta-feira, 2 de julho de 2020

A vida na tentativa de um novo normal

Relatos de brasileiros sobre como têm agido em frente ao isolamento da pandemia de Covid-19

Por Letícia Rodrigues da Silva – 9º C 

Com as medidas de distanciamento social tomada em decorrência da pandemia de Sars-CoV-2, nome científico do novo coronavírus, as pessoas tiveram que se adaptar rapidamente a uma vida sem contato físico com amigos e familiares e, por vezes, até sem poder comunicar-se com eles.

“Se no início do ano alguém falasse que um vírus de Wuhan, na China, do outro lado do mundo chegaria ao Brasil em tão pouco tempo, isso pareceria algo ‘absurdo’, porém, em uma época na qual o mundo é extremamente interligado, vemos de perto um dos pontos negativos disso: a rápida propagação do coronavírus”, afirmou Luciana Pereira Rodrigues da Silva, profissional de saúde.

A quarentena é tida pelos especialistas como o mais eficaz método de contenção do contágio do Covid-19 até onde se tem conhecimento. Ficar em casa nesse período de pandemia é necessário para que os hospitais se preparem e para que o número de casos não cresça a ponto de lotá-los, evitando uma possível sobrecarga do sistema de saúde.

No entanto, há pessoas que não respeitam o isolamento, seja por questão de desprezo aos avisos, seja porque estão se sentindo sozinhas ou até mesmo porque o trabalho que realizam não possibilita essa parada repentina e precisam da renda para se sustentar. A estudante Karolyne Rodrigues Silva conta que está difícil conter a avó em casa. “Ela já está louca pra ir ‘bater perna’ no centro”, disse, em tom de indignação.

Já a dona Alzira Pereira Rodrigues, aposentada de 65 anos, responde que não tem sido fácil ficar direto em casa, mas acredita ser algo necessário. “Estou me sentindo presa. Apesar de querer sair, a gente já é de idade e estamos no grupo de risco, o que aumenta as chances de complicações. Se eu preciso comprar algo, peço para meus filhos trazerem aqui”. Ela conta também que o medo aumentou após o falecimento de uma conhecida: “A mãe de um parente meu morreu há pouco tempo e os familiares nem puderam fazer um velório para ela”.

Leonardo da Silva, coordenador de enfermagem do Samu regional de Sorocaba, afirma que os cuidados no serviço dobraram e faz uma observação: “Agora, qualquer ocorrência com dificuldade respiratória é atendida como caso suspeito de Covid-19. O que tenho percebido foi uma diminuição em acidentes de rua, como atropelamentos e acidentes automobilísticos.”

Quanto à rotina, Leonardo diz que para ele não mudou muito e, por ter trabalhado como socorrista, já estava acostumado com certa agitação na profissão. Afirma que a quarentena possibilita um tempo de reflexão, mas confessa que lidar com a distância não tem sido tão fácil. “É uma forma de querer estar mais próximo dos familiares. Meus pais moram em outra cidade e sempre viajávamos para visitá-los nos feriados. Sem as viagens sinto saudades deles, mas essa também foi uma oportunidade de me aproximar mais dos meus filhos”, afirmou.

A professora de escola pública Leonice da Silva Pereira, que vive em Itapecerica da Serra, relata sua experiência. “Tive que me adaptar para criar aulas online. No começo foi um desafio, mas aos poucos fui me acostumando”. Ela conta também que teve que cancelar uma viagem para o Japão: “Fomos convidados a ir a Kyoto para um evento cultural que tem relação com nossa cidade, mas os aeroportos de lá fecharam poucos dias após os primeiros decretos de restrição no Japão.”

O estudante Luiggi Rodrigues da Silva aponta algumas dificuldades como aluno: “Ficar o dia inteiro em casa sentado em frente ao computador cinco dias por semana tem me causado certas dores de cabeça e nas costas”. Já em seu tempo livre, Luiggi diz ter aproveitado para aprender a jogar futebol com seu pai. “Quando tudo voltar ao normal, talvez eu possa jogar como goleiro no interclasses do colégio”, afirma, esperançoso.

Há ainda pessoas que desacreditam nos efeitos do isolamento, como é o caso do senhor Wagner Oliveira, desempregado. “A quarentena é uma perda de tempo. O isolamento deveria ser apenas para os velhos e pessoas doentes. Todo mundo vai morrer um dia, os velhos vão ter que morrer mesmo e se eu tiver que ir eu vou também”, justifica.

Para a microempresária Marinilda da Silva, as vendas melhoraram, ainda mais com a disponibilidade de entregas. Apenas relata dificuldade na reposição de estoques, sendo que boa parte de seus produtos são importados da Ásia. Com relação ao isolamento pessoal ela diz que, apesar de defender as restrições, tem saído de casa com alguma frequência: “Confesso que tenho frequentado algumas festas em casas de amigos”.

Todavia, a profissional de saúde Luciana Pereira Rodrigues da Silva alerta: “Sem o isolamento os casos aumentariam ainda mais e pessoas que precisem de assistência médica, não apenas pelo coronavírus como outros tipos de enfermidade, podem vir a óbito pela falta de leitos com a lotação dos hospitais.”

“O fato de a pessoa estar fora do grupo de risco não a torna isenta dos sintomas e de dias de sofrimento pela recuperação”, comenta a enfermeira na rede pública de saúde Márcia Cristina Ribeiro, por experiência própria. Ela pegou o vírus de uma colega de serviço. “Chegou um ponto em que pensei que fosse morrer”, conta ela, já recuperada.