quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Novas mutações no Sars-Cov2 e suas possíveis implicações

Variações genéticas dificultam as pesquisas para obtenção de remédios e vacinas contra a Covid-19

Por Breno Garcia, João Igor Pisaniello Alves de Oliveira, Julia Medeiros, Leonardo de Souza. Luan Caue Rodrigues Alves, Lucas Dorta Leister Camelim e Shuyani Farias Silva – Terceirão

Compreender as mutações do Sars-CoV-2 é de extrema importância para a produção de medicamentos e vacinas contra a Covid-19. Hoje, há registros de sete espécies do vírus que podem causar infecção em humanos, sendo que três delas podem acarretar doenças graves: 

  • o Sars-CoV é o agente da pandemia de Sars (síndrome respiratória aguda grave) que afetou o mundo entre 2002 e 2003;
  • o Sars-CoV2 é o vírus responsável pela atual pandemia que enfrentamos; 
  • o Mers-CoV provoca a síndrome respiratória do Oriente Médio, que ganhou esse nome por ter sido identificada pela primeira vez na Arábia Saudita, em 2012, e não chegou a ser uma pandemia, pois teve casos restritos a aquela região.

Essas mutações são pequenas alterações no código genético dos vírus, o que pode gerar novas características para as doenças por eles causadas. Segundo cientistas do Laboratório Nacional Los Alamos, houve por volta de 14 mutações no Sars-CoV2, e a que eles consideram mais alarmante é a D614G, que demonstrou muita facilidade em se espalhar pelo mundo.

Quando o vírus se mantém estabilizado, as pesquisas e estudos ficam mais fáceis, pois todos sabem com o que estão lidando, mas quando os vírus vão se alterando a situação se complica, porque as reações e sintomas passam a ser diferentes, dificultando o combate e a prevenção da doença.

O biólogo molecular Andrew Rambaut. da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirmou que em média o Sars-CoV2 sofre de uma a duas mutações por mês. Apesar de parecer alarmante, é um ritmo de transformação mais lento que o vírus que causa a gripe tradicional, cuja vacina, por causa disso, precisa ser renovada todos os anos.

Há mais de mil sequenciamentos genéticos do novo coronavírus, os quais são divididos em três grupos: A, B e C. O tipo A é considerado o “original” que foi encontrado em morcegos e pangolins; o tipo B, uma variação deste, tem maior incidências no Leste da Ásia, mas não se espalhou muito; o C é o majoritário na Europa, e foi encontrado também na França, Itália, Suécia e Brasil. 

Não se sabe ainda como esse vírus foi passado de animais para humanos, e nenhum estudo ainda conseguiu comprovar que as mutações podem torná-lo mais contagioso ou letal – mas notoriamente percebe-se que elas dificultam as pesquisas e o trabalho para a obtenção da vacina que pode nos tirar desta pandemia.